Manuel Garcia Vazquez

(médico, escritor e peregrino)

A Coragem de Continuar

Publicado GLIFO 2016

Caminhar é uma actividade nem sempre muito apreciada. Dizem que caminhar pode emagrecer, porém vos confio um segredo as longas caminhadas até fazem engordar, pelo inchaço, pelas retenções vasculares e pelos abusos de beber e comer. A Caminhada é sempre monótona, melancólica, não ausenta de tédio, mas muitos pensares, muito reflectir, projectos inacabados, sonhos desfeitos, amores e tantas ausências de quem e do que perdemos. A resposta de um caminhar traz por vezes sentimentos de revolta, de descoberta de caminhos dentro de nós, sedimentar amarguras, pobreza de nos sentirmos perdidos numa senda para onde imaginamos ir e nem sabemos se ali chegamos. A caminhada assola o corpo, provoca conhecimento de músculos e lcias inimagináveis. Dá um protagonismo a uma alma perdida no ente que somos nós. A Caminhada é uma autonomia não evidente de quem a executa com regularidade. Caminho diariamente, mais ou menos milhas, mas nuca me sinto deveras preparado a alargar-me no trajecto mais longo, pois tenho receios de perder-me num trilho sem volta, Caminhar, nunca deixamos de ser nós, apenas variamos e desejamos sempre voltar à nossa zona de conforto — o Lar, doce lar em princípio.

Há dias em que o cansaço fala mais alto do que a esperança.
Mas é exatamente nesses dias que a coragem precisa sussurrar.

Todo peregrino descobre, em algum momento da jornada, que o caminho não é feito apenas de paisagens bonitas. Há subidas íngremes, silêncios longos e momentos em que parece não haver direção. Ainda assim, é seguindo adiante que o sentido se revela.

A vida não exige passos perfeitos — exige passos firmes. Não é a velocidade que determina a chegada, mas a persistência. Muitas vezes, aquilo que hoje parece peso será amanhã a prova da sua força.

Quando tudo parecer lento, lembre-se: crescer também é um processo invisível. Raízes se aprofundam antes que os frutos apareçam.

Continue caminhando. Mesmo devagar. Mesmo em silêncio. Mesmo cansado.

— Doctor Peregrino
Diário do Peregrino

Sejam todos bem vindos a este espaço e Bom Caminho

Nas caminhadas de longo curso como peregrinações torna-se frequente ver grupos com uma vulgar pressa em chegar. Caminham de dia e de noite, porque têm um tempo limitado para realizar o objectivo de apresentar uma profunda devoção à Virgem maria (por exemplo Fátima). São perfeitas multidões, assumindo um fenómeno de grupo ou dito multidão. Há muito sofrimento, porque num ser sedentário caminhar longas horas em estradas de alcatrão ou redes rodoviárias conduz rapidamente a lesões. Associações de voluntários prestam auxílio no trilho santo, com cuidados de suporte básico, mas ocorrem por vezes acidentes que um colete reflector e a atenta fé não vai evitar. Um caminhante de longo curso tem de aprender a sentir as suas limitações e adquirir uma confiança na lentidão ou seja fugir da rapidez da prova quase de estafeta ou corrida. Caminhar longas horas em clima inóspito de calor ou frio, mesmo com carros de apoio, revela-se martírio ou sacrifício, sem a benesse que a própria paisagem é um conjunto de sabores, cores e odores que o corpo e a mente absorve. A própria paixão pela fuga do caminhante no sentir quem sou, de onde vim e para onde vou não é interiorizada pelo eterno viandante que todos somos.

Castigos..

Castigos injustos e merecidos

Quem tem de educar, por vezes usa o prémio e o castigo

Dilema do educador e do prevaricador

Fazer bem merece incentivo nem sempre recebido

Fazer mal já segur o passo do castigo

Quando caminhamos pelos trilhos da aventura os sentimos os incentivos e os castigos.

prevaricador todos nós somos e na religião sentimos que fomos concebidos num alegado pecado original.

O maor sexual, a atração pela concepção aceite ou interpestiva de um acto conjunto entre uma mulher e um homem, levanta dúvidas de saberes do erotismo, do sensual, do gosto ver os corpos juntos e ligados no acto do coito para além do prazer, orgasmo ou libido satisfeita.

Castigos nem sempre são bem recebidos, a indiferença, a pouca atenção, a birra do momento merece talvez não castigo, mas mais compreensão. Todos merecemos um dia um castigo, mas reclamamos se nos sentimos vítimas e sagazes na interpretação nem tanto mal recebido.

A doença, o infortunio, a tempestade, o achaque sobressai na nossa mente como eventual castigo dos deuses enfurecidos pela nossa destreza em procurar satisfação e prazer. Castigar-nos, puramento na imitação de Cristo na Cruz, não é sistema de promessa e troca, de martírio e elição por ser assim vitima.

Quem castiga assume um papel como se fosse deus ou carrasco.

Vai para o teu quarto, ficas sem sobremesa, não vais à ginástica, ao baile ou à festa. temas muito controversos de quem tem de educar filhos e netos ou sobrinhos. castigar é uma arte sem causar dano, basta por vezes um olhar para o meu cão e ele compreende que fez bem ou mal. Por veses com os animais domésticos os vemos fazer asneiras no sentido cativar a nossa atenção. Todos somos crianças no comportamento de meninos que gostamos de ser ouvidos, de conversar e saber aprender a viver com e sem castigos. Vamos lá a ver…

Quanto tempo demora a pesquisa para um novo livro….

Um livro é sempre um desafio e alinhavar a estrutura, o enredo e sintetizar na primeira frase cativar o leitor.

Artigos, pensamentos, fluidos sonhos e pesadelos, mortes e tirocineos entre guerra e paz, mais de campo e monte, floresta, rio e mar enfim montanha agreste e abismo. Gentes iradas em conflito, guerras e paz além, bombas e inveja, soberba e paixão a par de renúncia e deixar-se ir na corrente de afectos e emoções. Escrever um novo livro é algo que tememos nem conseguir. Neste momento estou de novo a pesquisar isto e aquilo e nada transcendo deste meu humor por vezes intratável ao me defrontar com alguém impossível de aturar como eu. Leiam e pensem um pouco o escritor teve de ir ao seu interior buscar inspiração ou então plagiou de alguém.

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